Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza, que são geralmente misturados a outros minérios e de difícil extração. Embora não sejam necessariamente raros, isolá-los em alta pureza é um processo complexo e caro. No Brasil, um levantamento do Serviço Geológico identificou potencial para a presença desses minerais em 12 estados, incluindo Goiás e Minas Gerais, onde já foram confirmados depósitos.
A descoberta de terras raras em território nacional pode posicionar o Brasil de forma mais proeminente no mercado global de minerais estratégicos, especialmente no segmento de terras raras e urânio. Isso poderia impulsionar a cadeia produtiva do país em setores como energia limpa, tecnologia avançada e defesa, além de atrair investimentos e reduzir a dependência externa.
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o Brasil detém cerca de 21 milhões de toneladas de terras raras, sendo o segundo maior detentor global, atrás apenas da China. No entanto, a China não apenas possui reservas significativas, mas também lidera em tecnologia de beneficiamento e refino desses elementos, algo que o Brasil ainda precisa desenvolver.
Fernando Landgraf, professor da Escola Politécnica da USP, destaca a importância estratégica de dominar toda a cadeia produtiva das terras raras, algo que a China fez décadas atrás. Atualmente, o Brasil exporta principalmente matéria-prima bruta, sem capacidade de refino em escala industrial, o que limita seu valor agregado ao longo da cadeia produtiva e mantém o país como um fornecedor periférico, apesar da crescente demanda global.


