Especialistas alertam para impacto ambiental do crescimento dos data centers no país, impulsionado pelo uso de inteligência artificial.
A crescente demanda por inteligência artificial no Brasil tem acelerado a instalação de data centers, responsáveis por armazenar e processar grandes volumes de dados. Essas “centrais nervosas” da internet abrigam milhares de servidores e operam com sistemas de refrigeração ininterruptos para evitar superaquecimento, o que resulta em alto consumo de energia e, em alguns casos, de água.
Atualmente, o país conta com cerca de 162 data centers, com capacidade total estimada entre 750 MW e 800 MW — consumo equivalente ao de uma cidade com dois milhões de habitantes. Projeções indicam que, até 2038, a demanda pode atingir 17.716 MW, equiparando-se ao consumo de uma população de 43 milhões de pessoas. Esse crescimento, aliado à popularização da IA, levanta debates sobre impactos ambientais e sobre a necessidade de maior transparência das empresas quanto ao uso de recursos.
O consumo de água pode ocorrer de forma indireta, quando a energia provém de hidrelétricas, e direta, quando utilizada em sistemas de refrigeração. Modelos que utilizam torres de resfriamento apresentam gasto elevado, enquanto sistemas de ciclo fechado reduzem significativamente essa demanda. Especialistas destacam que a escolha do modelo e da matriz energética influencia diretamente o impacto ambiental.
Bruno Silva, especialista em inteligência artificial e diretor da Saggis Soluções Integradas, explica: “A eficiência e sustentabilidade dos data centers dependem de escolhas tecnológicas e da matriz energética. Investir em soluções de baixo consumo hídrico e energético é primordial para que o avanço da IA não venha acompanhado de danos ambientais irreversíveis.”


