Da animação ao live-action: como a Disney reinventou seus clássicos

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Os filmes clássicos da Disney marcaram gerações inteiras. Basta lembrar da emoção de ver A Bela e a Fera dançando no salão, da força de O Rei Leão e sua inesquecível abertura ao som de “Circle of Life”, ou da magia de A Pequena Sereia, que nos apresentou ao fundo do mar mais encantador do cinema. Essas animações, além de visualmente deslumbrantes para sua época, moldaram a identidade cultural da Disney e ajudaram a consolidar o estúdio como um império do entretenimento. No entanto, nos últimos anos, a casa do Mickey decidiu revisitar esses sucessos sob uma nova forma: o live-action.

A iniciativa começou de forma mais experimental com Alice no País das Maravilhas (2010), dirigido por Tim Burton, mas ganhou força de verdade a partir de Cinderela (2015) e explodiu com A Bela e a Fera (2017). A lógica é simples: juntar nostalgia com tecnologia de ponta, oferecendo ao público adulto a chance de reviver histórias da infância e, ao mesmo tempo, apresentar esses contos a uma nova geração. E, ao menos comercialmente, a fórmula funcionou. O Rei Leão (2019), mesmo criticado por sua estética “realista demais”, arrecadou mais de US$ 1,6 bilhão nas bilheteiras, provando que a magia ainda rende — e muito.

O interessante é perceber como a Disney não apenas refaz as animações quadro a quadro, mas também introduz mudanças que dialogam com os tempos atuais. As princesas, antes mais dependentes de príncipes salvadores, ganharam maior autonomia; vilões foram humanizados, ganhando motivações mais complexas; e a representatividade, ainda tímida no passado, começou a ganhar espaço. A escolha de Halle Bailey para viver Ariel em A Pequena Sereia (2023) talvez seja o exemplo mais emblemático, gerando debates acalorados, mas também simbolizando uma Disney mais aberta à diversidade.

Ainda assim, nem tudo é encantamento. Muitos críticos apontam que, em alguns casos, os remakes acabam apagando a fantasia das animações originais, trocando a leveza dos desenhos pela rigidez do realismo digital. Mulan (2020), por exemplo, dividiu opiniões ao eliminar personagens e músicas que eram fundamentais na versão animada. Isso mostra que, ao mesmo tempo em que os live-actions buscam inovação, existe o risco de perder a essência que fez daqueles clássicos algo tão especial.

No fim das contas, os live-actions da Disney são um reflexo do próprio estúdio: uma marca que sabe se reinventar sem nunca abandonar suas raízes. Entre acertos e tropeços, a verdade é que essas adaptações mantêm os clássicos vivos, despertando tanto a nostalgia dos adultos quanto a curiosidade dos mais jovens. E, goste-se ou não, a Disney segue lembrando ao público que sua magia, seja animada ou em carne e osso, continua sendo um espetáculo difícil de ignorar.

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