Pesquisa com camundongos mostra mudanças vasculares similares nos olhos e cérebro. Retina pode servir como biomarcador não invasivo da doença
Um estudo com camundongos sugere que exames oftalmológicos de rotina podem ajudar a identificar sinais precoces de Alzheimer através de mudanças nos vasos sanguíneos da retina. A pesquisa, publicada na revista Alzheimer’s & Dementia, encontrou alterações vasculares similares nos olhos e cérebro de camundongos com variante genética ligada à doença.
Os pesquisadores examinaram camundongos com variação no gene MTHFR, associado à demência vascular e Alzheimer. Aos 12 meses, camundongos fêmeas com a variante apresentaram diminuição na densidade dos vasos sanguíneos da retina, espelhando mudanças cerebrais observadas em estudos anteriores.
“Este estudo fortalece o eixo ‘olho-cérebro’ para neurodegeneração”, comentou Maya Koronyo-Hamaoui, da Cedars-Sinai Medical Center. Os dados sugerem que a retina pode reportar alterações vasculares relacionadas à doença no cérebro através de exames minimamente invasivos.
Porém, especialistas alertam que são necessárias mais pesquisas antes da aplicação em humanos. Daniel Romaus-Sanjurjo, do Instituto de Pesquisa em Saúde de Santiago, nota que ainda não está claro se mudanças oculares ocorrem antes ou depois das cerebrais, e algumas alterações podem estar associadas a outras condições como glaucoma.


