Polilaminina, desenvolvida após 25 anos de pesquisas, estimula neurônios a rejuvenescer. Paciente tetraplégico recuperou movimentos completamente
Pesquisadores brasileiros desenvolveram um medicamento que pode representar avanço histórico no tratamento de lesões medulares. A polilaminina, extraída da placenta humana, é fruto de 25 anos de pesquisas lideradas pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ.
O fármaco estimula neurônios maduros a rejuvenescer e criar novos axônios, estruturas que transportam impulsos elétricos no corpo. Essa capacidade abre caminho para regeneração da medula espinhal, considerada impossível pela ciência até então.
Entre oito voluntários dos estudos clínicos acadêmicos, o bancário Bruno Drummond de Freitas, 31 anos, recuperou completamente após ficar tetraplégico em acidente. “Em cinco meses estava completamente recuperado. Tenho rotina normal, faço esportes”, relatou. A atleta paralímpica Hawanna Cruz recuperou 60-70% do controle do tronco.
Testes em animais mostraram resultados promissores: cães com lesões recuperaram marcha total e ratos apresentaram efeitos em 24 horas. O laboratório Cristália já produz o medicamento usando placentas doadas.
Porém, a Anvisa ainda precisa autorizar estudos clínicos ampliados para garantir segurança. O tratamento inicial será oferecido apenas para lesões recentes (até três meses pós-trauma).


