Fomepizol é mais eficaz mas não está disponível no Brasil. Etanol é alternativa usada em emergências apesar de efeitos colaterais
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Unicamp alertou que o Brasil não possui estoque suficiente de antídotos para tratar intoxicação por metanol. Já são pelo menos 22 casos entre suspeitos e confirmados em São Paulo – uma morte foi comprovadamente causada por bebida adulterada, e outras quatro seguem em investigação.
O fomepizol é o antídoto mais eficaz, mas não está disponível no Brasil, embora conste na lista de medicamentos essenciais da OMS. O produto precisa ser importado. Na ausência dele, o etanol é usado em emergências.
Estão em falta tanto fomepizol quanto etanol puro. Ambos atuam inibindo a enzima álcool desidrogenase (ADH), que transforma metanol em formaldeído e o converte em ácido fórmico – verdadeiro responsável pelas reações graves.
Segundo especialistas, o fomepizol é considerado superior por ter poucos efeitos colaterais e agir diretamente na inibição da enzima. É aplicado pela veia em doses específicas, com efeito em até 48 horas.
O etanol tem função semelhante, mas mantém o paciente em estado de intoxicação alcoólica durante o tratamento, o que torna o processo mais demorado. Quando o fígado tem contato com ambas as substâncias, metaboliza preferencialmente o etanol, permitindo que os rins eliminem o metanol gradualmente.
Nos casos em que a quantidade de metanol ingerida é grande, o tratamento inclui hemodiálise para remover tanto o metanol quanto o ácido fórmico já produzido no organismo.
O CIATox cobra revisão da política nacional de antídotos criada em 2023. Atualmente não há estoque adequado de etanol e o fomepizol não está incorporado ao SUS. A previsão é que o número de intoxicações continue aumentando.


