Clarke, Devoret e Martinis mostraram tunelamento quântico em circuitos supercondutores. Artigo do brasileiro Amir Caldeira foi base teórica do trabalho.
A Real Academia de Ciências da Suécia concedeu o Nobel de Física 2025 ao britânico John Clarke (83 anos, UC Berkeley), francês Michel Devoret (72, UC Santa Bárbara/Yale) e norte-americano John Martinis (67, UC Santa Bárbara) por demonstrarem em 1984-1985 que propriedades quânticas existem em sistemas macroscópicos. O trio divide 11 milhões de coroas suecas (R$ 6,23 milhões).
Trabalhando juntos em Berkeley, mediram tunelamento quântico em circuitos supercondutores de aproximadamente um centímetro, onde corrente elétrica flui sem resistência próxima ao zero absoluto. O fenômeno permite partículas ultrapassarem barreiras energéticas intransponíveis pela física clássica, abrindo caminho para computadores quânticos mediante manipulação de qubits em circuitos supercondutores.
A base teórica veio de artigo de 1981 do brasileiro Amir Caldeira (Unicamp) e Anthony Leggett (Nobel 2003) publicado na Physical Review Letters, citado nominalmente pela academia sueca. Eles estudaram como ambiente externo dissipa propriedades quânticas, propondo circuito com junção Josephson – camada isolante entre componentes supercondutores funcionando como barreira energética onde ocorre tunelamento de pares de Cooper, assinatura da supercondutividade.
Aplicações futuras: controle do tunelamento cria chaves modulando estados de partículas, tecnologia essencial para desenvolvimento de computação quântica comercial aguardando avanços laboratoriais substanciais.


