O historiador defende a implementação no Brasil de um modelo similar ao adotado por países como Canadá, Suécia e Uruguai no passado, onde o Estado possui o monopólio da distribuição de bebidas alcoólicas no atacado. Segundo ele, essa abordagem traria benefícios como a destinação de toda a receita para o Orçamento do Estado, beneficiando áreas como educação e saúde, especialmente aquelas relacionadas aos impactos do consumo abusivo de álcool na saúde pública. Além disso, permitiria um controle mais eficaz da qualidade e distribuição, regulando horários, locais de venda e restringindo o acesso a maiores de idade.
O historiador ressalta que o álcool, principalmente na forma destilada, é uma das drogas mais perigosas e tem se tornado a principal opção de diversão pública com substâncias psicoativas no Ocidente. Ele destaca a necessidade de reduzir permanentemente o consumo, especialmente de destilados, e sugere a legalização de outras substâncias menos prejudiciais, como a maconha e o chimarrão, como alternativas de entretenimento público.
Até o momento, a crise do metanol já causou oito mortes, a maioria em São Paulo e Pernambuco. Foram registrados 148 casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas, com 41 confirmações e 107 em investigação. O Estado de São Paulo concentra a maioria dos casos notificados.
O modelo atual de distribuição de bebidas alcoólicas no Brasil reflete uma cultura historicamente leniente em relação ao álcool, marcada pela influência da produção de cana-de-açúcar. Grandes empresas internacionais controlam o mercado, estabelecem preços e dominam a indústria, extraindo lucros significativos que não são devidamente revertidos para a sociedade.
O historiador propõe um modelo de controle monopolista do Estado na distribuição atacadista de bebidas, semelhante ao adotado em países como Canadá e Suécia. Ele destaca a importância de uma fiscalização abrangente que não se restrinja apenas à taxação, visando garantir um controle efetivo da qualidade e distribuição, bem como a destinação adequada dos recursos financeiros gerados para o benefício público.
Carneiro ressalta que a proibição total do consumo de álcool, como ocorre em países como Irã e Arábia Saudita, ou o modelo hiperliberal adotado no Brasil, são abordagens inadequadas. Ele destaca a necessidade de um controle mais rígido, visando reduzir o consumo excessivo, a violência associada e os impactos negativos na saúde pública. A implementação de políticas de controle de consumo em espaços públicos e horários específicos, inspiradas em práticas de outros países, também é sugerida como forma de promover uma convivência social mais equilibrada em relação às substâncias psicoativas.
O historiador enfatiza que a relação com as bebidas alcoólicas é cultural e universal, desempenhando um papel significativo na identidade e nas práticas sociais. Ele defende a diversificação das opções de entretenimento público, incluindo a legalização de substâncias menos prejudiciais, como forma de reduzir o consumo excessivo de álcool e seus impactos negativos na sociedade. A intervenção estatal é destacada como fundamental para garantir um controle eficaz do mercado e promover uma convivência saudável em relação às drogas.


