A higiene do sono é essencial para garantir uma noite restauradora e de qualidade. Segundo o historiador Roger Ekirch, acordar durante a noite pode não ser necessariamente um distúrbio do sono, mas sim uma herança ancestral que remonta a tempos pré-históricos. Antes da Revolução Industrial e da introdução da eletricidade, o padrão de sono era bifásico, dividido em dois turnos.
O primeiro turno iniciava por volta das 21h e ia até cerca de 23h, momento em que as pessoas naturalmente despertavam, sem a necessidade de despertadores. Após permanecerem acordadas por aproximadamente duas horas, voltavam a dormir por volta da 1h da manhã, acordando definitivamente com o nascer do sol. Esse intervalo entre os dois turnos de sono era conhecido como “vigília” e era utilizado de diversas maneiras, desde atividades práticas como ir ao banheiro ou cuidar da lareira, até interações sociais, incluindo relações sexuais.
Inicialmente, Roger Ekirch acreditava que o sono bifásico era exclusivo da Idade Média, baseando-se em documentos e obras literárias da época. No entanto, ao longo de suas pesquisas, ele suspeitou que essa prática era uma herança dos nossos antepassados pré-históricos. Registros históricos, como na “Odisseia” de Homero do século VIII a.C., e relatos mais recentes, como o de um padre francês em 1555 sobre os indígenas tupinambás no Rio de Janeiro, evidenciam a presença do sono bifásico em diferentes culturas ao longo da história.
Portanto, compreender a história do sono humano pode ajudar a justificar variações nos padrões de sono e a importância de respeitar as necessidades individuais de descanso. Dormir bem é fundamental para a saúde geral, e cada pessoa pode ter um padrão de sono único, influenciado por uma combinação de fatores genéticos, culturais e ambientais. Portanto, ao lidar com a qualidade do sono, é essencial considerar essas nuances e buscar estratégias que promovam um descanso adequado e restaurador.


