Milton Maluhy Filho declarou no GAN Summit 2025 que parte dos mil funcionários demitidos assumiu fazer jornada dupla ou tripla virtualmente para outras empresas.
O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, falou nesta sexta-feira sobre demissão de cerca de mil funcionários anunciada pelo banco no início de setembro por conta de baixa produtividade no trabalho remoto. Durante evento GAN Summit 2025 realizado no Teatro ESPM na cidade de São Paulo, empresário foi questionado sobre desligamentos explicando que funcionários não estavam apresentando rendimento desejado.
“Tinham 1,1 mil pessoas fazendo péssimo trabalho entregando 20% do que era esperado e registrando que fazia hora extra”, disse Maluhy Filho. “Isso é desvio de conduta e gera sobrecarga sobre restante colocando em risco modelo de trabalho híbrido em que acreditamos muito”. Maluhy Filho acrescentou que maioria dos ex-trabalhadores reconheceram estar errados afirmando que maior parte dos que saíram pediram desculpas reconhecendo mau uso admitindo estar fazendo jornada dupla, tripla e trabalhando virtualmente para outros lugares.
As demissões ganharam repercussão nacional não apenas pelo volume de funcionários desligados mas também pelo suposto motivo do corte. Na época sindicato da categoria informou que banco teria justificado demissões com base em registros de inatividade nas máquinas corporativas sendo que alguns casos registraram até quatro horas ou mais de ociosidade. Já Itaú negou na ocasião demissão em massa afirmando que desligamentos foram feitos a partir de revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada.
No começo de outubro Itaú Unibanco entrou em acordo com Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região para pagamento de até 10 salários mínimos adicionais aos funcionários demitidos. De acordo com entidade da categoria acordo prevê valor fixo de R$ 9 mil, 13ª cesta-alimentação e manutenção da taxa de financiamento imobiliário diferenciada aos ex-funcionários. Segundo sindicato acordo foi firmado em mediação com Itaú no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região tendo banco comprometido-se a não encerrar modelo de teletrabalho. Os funcionários demitidos terão prazo de até seis meses para adesão ao acordo.
O caso expõe desafios crescentes da gestão de trabalho remoto em grandes corporações brasileiras evidenciando necessidade de controles mais rigorosos e transparentes para garantir produtividade sem comprometer flexibilidade conquistada por trabalhadores durante pandemia. A situação levanta questionamentos sobre equilíbrio entre confiança e monitoramento no ambiente de trabalho híbrido.


