Indicação de advogado-geral divide Congresso. Alcolumbre queria Pacheco. Aprovação no Senado será “calvário”, alertam parlamentares
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou nesta quinta-feira a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), decisão que já gera onda de críticas e tensões políticas no Congresso. A escolha não agradou setores influentes do Senado, particularmente o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que preferia seu aliado Rodrigo Pacheco.
A Escolha Que Divide
Messias era favorito de Lula há meses antes mesmo de Luís Roberto Barroso anunciar aposentadoria em outubro. O presidente havia prometido ao advogado-geral a próxima vaga que se abrisse no tribunal, após descartá-lo anteriormente para a cadeira ocupada por Flávio Dino. Barroso antecipou sua saída, acelerando o processo e surpreendendo setores do Palácio do Congresso.
Rodrigo Pacheco (DEM-MG), senador altamente cotado, era aposta de Alcolumbre e de ministros do STF com forte trânsito político. Porém, Lula preferiu que o parlamentar concorra a governador de Minas Gerais em 2026. Pacheco anunciou que deixará a vida pública, encerrando especulações sobre sua permanência política.
A Insatisfação de Alcolumbre
Davi Alcolumbre sinalizou publicamente sua contrariedade com a escolha. O presidente do Congresso chegou a declarar que “se pudesse, faria a indicação”, deixando claro seu desconforto com a preterição de Pacheco. A fala evidencia fricção entre Executivo e Legislativo em momento delicado das negociações políticas.
O Calvário Que Vem Pela Frente
Senadores alertam que a aprovação será fase “mais difícil no calvário de Messias até chegar ao STF”. A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deve ser longa e conturbada, podendo durar até 8 horas. Os 81 senadores poderão questionar o candidato sobre temas jurídicos, políticos e pessoais.
Após sabatina com parecer da CCJ por maioria simples, o nome vai à votação secreta no plenário. Messias precisa de pelo menos 41 dos 81 votos para aprovação por maioria absoluta. Senadores citam exemplo recente: Paulo Gonet enfrentou dificuldades similares, mostrando que apoio a Lula no Senado está “minguado”.
Contexto Histórico
Tradicionalmente, indicações presidenciais ao STF são aprovadas. Em 133 anos de história da Corte, apenas cinco indicados foram reprovados, todos em 1894. Porém, clima político atual sugere que Messias enfrentará resistência organizada e questionamentos intensos sobre sua trajetória, posições ideológicas e vinculações políticas com o governo Lula.


