O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu neste domingo (7) que sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026 “tem um preço” e pode ser retirada caso receba uma contrapartida — contrapartida esta que, segundo ele próprio insinuou, envolve diretamente o futuro jurídico de seu pai, Jair Bolsonaro, condenado e preso por participação na trama golpista de 2022.
A fala foi dada na saída de um culto evangélico em Brasília e repercutiu imediatamente no meio político por escancarar que a presença de Flávio na disputa eleitoral é tratada como moeda de troca, e não como projeto nacional.
“Tem uma possibilidade de eu não ir até o fim, e eu tenho um preço para isso (…) só vou falar amanhã”, declarou o senador.
Ao ser questionado, Flávio deixou claro que o principal item dessa “negociação” seria a votação de um projeto de anistia aos condenados pelo Supremo Tribunal Federal — iniciativa que poderia beneficiar diretamente Jair Bolsonaro, seu pai.
Anistia como condição política: o que Flávio quer do Congresso
O senador afirmou que espera que os presidentes da Câmara e do Senado pautem imediatamente a anistia aos envolvidos nos ataques antidemocráticos, classificando o tema como prioridade:
“Espero que pautem essa semana a anistia (…) e deixem o pau cantar no voto no plenário, que é o que sempre quisemos.”
Quando questionado se esse seria o “preço” para retirar sua candidatura, Flávio respondeu:
“Não é só isso não, mas está indo bem.”
A resposta confirmou a leitura de que a pré-candidatura do senador é usada como instrumento de pressão política — especialmente em um momento em que o bolsonarismo busca alternativas para reverter as condenações de seu líder.
Bolsonaro condenado e preso
Jair Bolsonaro e outros seis integrantes do núcleo central da tentativa de golpe foram condenados pela Primeira Turma do STF em setembro e começaram a cumprir pena no último dia 25.
A anistia, portanto, se tornaria um atalho político para reverter penalidades impostas pela Justiça.
Flávio Bolsonaro já havia dito publicamente que sua candidatura foi “uma missão dada” pelo pai, revelando mais uma vez a centralidade familiar na articulação política do clã.
“Um Bolsonaro mais centrado”: a promessa de campanha
Caso siga até o fim da disputa presidencial, o senador afirmou que se apresentará ao eleitorado como um “Bolsonaro mais centrado”, prometendo pacificação nacional e diálogo:
“Vocês vão conhecer um Bolsonaro diferente, que conhece Brasília e quer fazer uma pacificação nesse país.”
A fala tenta distanciar Flávio da retórica usada por seu pai, ao mesmo tempo em que mantém o capital político do sobrenome e reforça o caráter dinástico que o bolsonarismo tenta preservar.
Articulação com PL, União Brasil, PP e Republicanos
Nesta segunda-feira (8), Flávio deve se reunir com:
- Valdemar Costa Neto (PL)
- Antônio Rueda (União Brasil)
- Ciro Nogueira (Progressistas)
- e convidará Marcos Pereira (Republicanos), partido do governador Tarcísio de Freitas, nome preferido do mercado e do Centrão.
Segundo o senador, o objetivo é “entender melhor” a posição dessas lideranças após o anúncio inesperado de sua pré-candidatura — movimento que surpreendeu boa parte do ambiente político.
Abertura para novos nomes: Ratinho Jr. observa o tabuleiro
A entrada de Flávio na disputa, segundo avaliações do Centrão, abre espaço para um novo candidato de centro-direita, já que mantém vivo o eixo Lula x bolsonarismo.
Lideranças veem oportunidade para Ratinho Jr. (PSD), governador do Paraná, despontar como alternativa. Sem Tarcísio na disputa, há expectativa de que o eleitorado moderado busque outro nome fora da polarização.
Como disse uma liderança ao blog de Gerson Camarotti:
“Neste momento, Ratinho Jr. tem que jogar parado.”
Pesquisas Datafolha recentes apontam:
- Lula — 41%
- Flávio Bolsonaro — 18%
O que fica evidente no cenário político
Ao admitir publicamente que sua candidatura tem “preço” e que esse preço envolve anistia para condenados por golpe, Flávio Bolsonaro envia um recado direto ao sistema político:
sua presença na disputa não está condicionada a um projeto para o país, mas ao destino jurídico da própria família.
É um movimento que, questionado ou não, moldará as negociações da direita e do Centrão nos próximos meses — e que expõe com nitidez o grau de personalismo político que acompanha o bolsonarismo desde sua origem.


