Um disparo acidental dentro de um alojamento da Operação Verão, em Guarujá, acendeu um alerta sobre o nível de preparo e o manuseio de armas por policiais recém-ingressos na corporação. Uma policial militar, de 30 anos, atirou na própria perna ao manusear a arma e sofreu fratura na patela, sendo encaminhada ao Hospital Santo Amaro, onde permanece internada em estado estável.
O caso ocorreu na terça-feira (16), justamente no início das atividades da operação que reforça o policiamento no litoral paulista durante a alta temporada. Segundo a Polícia Militar, os protocolos de emergência foram acionados e a agente passou por cirurgia.
Apesar de tratado oficialmente como acidente, o episódio expõe fragilidades preocupantes em um contexto que exige atenção máxima, treinamento rigoroso e absoluto controle no uso de armamento. Disparos involuntários em ambientes de descanso ou alojamento não são situações triviais e costumam estar associados a falhas em procedimentos básicos de segurança, como o correto descarregamento da arma e o respeito às regras de manuseio fora do serviço operacional.
De acordo com informações apuradas, a policial ingressou na corporação há pouco mais de um ano e foi nomeada Soldado PM de 2ª Classe em novembro de 2024, o que reforça o debate sobre o tempo de formação, acompanhamento técnico e reciclagem de treinamento, especialmente em operações de grande porte.
A Polícia Militar informou que o caso será investigado pela seção de Polícia Judiciária Militar e Disciplina do 21º BPM/I. A apuração interna deve esclarecer as circunstâncias do disparo, mas o episódio já levanta uma discussão inevitável: se um erro desse tipo ocorre dentro de um alojamento, longe de uma ocorrência real, quais são os riscos quando o policial está nas ruas, em contato direto com a população?
A Operação Verão tem como objetivo ampliar a sensação de segurança em um dos períodos mais movimentados do litoral. Casos como esse, no entanto, evidenciam que segurança pública não se faz apenas com efetivo nas ruas, mas com treinamento contínuo, protocolos rígidos e preparo técnico compatível com a responsabilidade do porte de arma.


