O senador Cleitinho Azevedo divulgou um vídeo em suas redes sociais afirmando que, apesar de ser opositor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, concorda com a proposta defendida pelo governo federal de acabar com a escala de trabalho 6×1.
Na gravação, Cleitinho relata uma experiência pessoal para justificar sua posição. Segundo o senador, ele cresceu vendo o pai trabalhar todos os dias, sem folgas regulares, o que marcou profundamente sua visão sobre as condições de trabalho no Brasil. “Eu vi meu pai praticamente não ter descanso. E por ele, e pelos pais e mães de todo mundo, eu defendo o fim da escala 6×1 para que as pessoas tenham pelo menos dois dias de folga na semana”, afirmou.
O parlamentar ressaltou que sua posição não representa alinhamento político com o governo Lula, mas sim apoio a uma medida que considera justa e benéfica para os trabalhadores brasileiros. “Ser oposição não significa ser contra tudo. Quando algo é bom para o povo, precisa ser defendido”, disse.
Reação negativa de seguidores
A manifestação, no entanto, provocou forte reação negativa entre parte significativa de seus seguidores e eleitores. Mesmo a proposta significando, na prática, a ampliação do descanso semanal dos trabalhadores, Cleitinho passou a ser alvo de críticas e ataques nas redes sociais.
Nos comentários, apoiadores passaram a chamá-lo de “petista”, “traidor” e “vendido”, além de defenderem, de forma veemente, a manutenção da escala 6×1. Em diversas mensagens, usuários afirmaram que qualquer concordância com pautas defendidas pelo governo federal seria inadmissível, independentemente do mérito da proposta.
Polarização acima do interesse próprio
O episódio evidencia o grau de radicalização política presente no debate público brasileiro. A reação de parte dos eleitores chama atenção por rejeitar uma medida que, objetivamente, ampliaria direitos e qualidade de vida, apenas por estar associada a um adversário político.
Especialistas apontam que a polarização extrema tem levado setores da sociedade a agir contra seus próprios interesses materiais, priorizando a identidade ideológica e o embate político em detrimento de benefícios concretos.
Ao defender o fim da escala 6×1, Cleitinho acabou exposto a um dilema cada vez mais comum na política brasileira: a dificuldade de sustentar posições pragmáticas e transversais em um ambiente dominado por disputas binárias, onde qualquer convergência é tratada como traição.
O senador não apagou o vídeo e, até o momento, manteve a defesa da proposta, reafirmando que sua posição é motivada pela experiência de vida e pelo que considera justo para os trabalhadores, independentemente de quem esteja no governo.


