“Fechem as torneiras”: governo pede economia de água em plena onda de calor e expõe fragilidade do modelo privatizado da Sabesp

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Em meio a uma intensa onda de calor e à queda nos índices de chuva, o governo de São Paulo emitiu, nesta quinta-feira (25), um alerta pedindo que a população reduza o consumo de água nas próximas semanas para evitar o risco de desabastecimento. O aviso ocorre em um cenário de temperaturas elevadas, reservatórios pressionados e aumento expressivo da demanda.

Segundo dados divulgados pelo próprio governo estadual, o consumo de água cresceu até 60% nas últimas semanas, impulsionado pelo calor extremo. O problema é que esse aumento acontece justamente em um período de chuvas abaixo da média histórica, o que dificulta a recuperação dos sistemas de abastecimento.

A recomendação oficial é que os moradores adotem hábitos mais restritivos no uso da água. A secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, afirmou que a responsabilidade é coletiva.

“O uso consciente de água deve fazer parte da rotina das famílias, principalmente neste período de escassez severa, lembrando que a ação de cada um tem impacto na preservação do nível das represas responsáveis pelo abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo”, disse.

Um alerta que reabre o debate

O novo pedido de economia reacende críticas ao modelo de gestão da Sabesp, que passou por um processo de privatização e reestruturação nos últimos anos com a promessa de maior eficiência, ampliação de investimentos e fortalecimento da segurança hídrica do estado.

Para críticos, o alerta evidencia que, mesmo após esse novo modelo de gestão, o sistema segue recorrendo a medidas emergenciais já conhecidas da população, como campanhas de redução de consumo, especialmente nos momentos de estresse climático.

População como linha final de contenção

Especialistas apontam que períodos de calor intenso e baixa pluviometria já fazem parte da realidade climática do estado e, portanto, deveriam estar previstos nos planos de operação e investimento do sistema de abastecimento. Ainda assim, o ônus volta a recair sobre o consumidor, convocado a “fazer sua parte” para evitar a falta d’água.

A situação também levanta questionamentos sobre o custo do serviço. Com reajustes tarifários acumulados ao longo dos últimos anos, muitos consumidores relatam contas mais altas, mesmo diante do apelo oficial por redução no consumo.

Velho pedido, velho problema

Com o verão avançando e os reservatórios sob pressão, o governo retoma um discurso conhecido: fechar a torneira para garantir água amanhã. O alerta, porém, expõe uma contradição persistente — mesmo com mudanças estruturais e promessas de modernização na gestão da Sabesp, o estado segue dependendo do sacrifício cotidiano da população para equilibrar um sistema que deveria estar preparado para esse tipo de cenário.

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