O artigo de opinião publicado por Paulo Vinicius Coelho, o PVC, no UOL, reacendeu o debate sobre a qualidade dos gramados no futebol brasileiro, mas o fez de forma questionável. Ao classificar o gramado do Maracanã como “nota 4” e tratar isso como sinônimo de fracasso, o jornalista comete um erro básico: ignora — ou escolhe ignorar — que a escala técnica utilizada por entidades internacionais, como a FIFA, vai de 1 a 5, e não de 1 a 10.
Na prática, uma avaliação “4 de 5” não representa precariedade, mas sim um patamar elevado dentro dos critérios técnicos adotados mundialmente. Transformar isso em “80% de qualidade” e tratar o número como algo próximo do aceitável mínimo é uma distorção conceitual que induz o leitor ao erro.
Crítica seletiva e narrativa conveniente
O texto de PVC não se limita ao Maracanã. Ele generaliza e ataca os gramados naturais do país, citando também Fonte Nova, Castelão e Arena do Grêmio como exemplos ainda piores. O problema não está em criticar — a crítica é legítima —, mas na forma como ela é construída: com parâmetros errados e linguagem alarmista.
Esse enquadramento ganha contornos ainda mais sensíveis quando se observa o histórico do debate entre gramado natural e sintético.
O debate sobre o futuro dos gramados no Brasil é necessário e urgente. Mas ele precisa ser feito com rigor técnico, clareza conceitual e, sobretudo, honestidade intelectual. Ao tratar uma avaliação “4 de 5” como símbolo de fracasso, PVC não esclarece: ele inflama. Não informa: induz.



