O Governo de São Paulo iniciou a última semana do ano com uma ofensiva de grande alcance contra crimes ligados à violência doméstica e familiar. A Polícia Civil deflagrou a operação “Ano Novo, Vida Nova” nesta terça-feira (30), com a missão de executar mandados de prisão contra agressores investigados por crimes cometidos no ambiente familiar, especialmente contra mulheres. O primeiro balanço oficial, divulgado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), confirmou 225 prisões realizadas já no dia anterior, marcando uma das maiores mobilizações recentes da corporação para esse tipo de crime.
Para dar sustentação à ação, cerca de 1,7 mil policiais civis foram deslocados, com apoio logístico de mais de mil viaturas distribuídas por todas as regiões do território paulista. A coordenação envolve também a Secretaria de Políticas para a Mulher e as estruturas especializadas das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), além das seccionais da capital e dos departamentos de investigação do interior. Segundo a delegada Cristiane Braga, que lidera a rede das DDMs, a operação é um recado direto a quem acreditava na impunidade. “É a resposta para os agressores que imaginavam escapar da lei”, afirmou.
A ação ocorre em meio a um cenário preocupante de alta nos feminicídios na capital, que em 2025 registrou o maior volume anual desde o início da série histórica, em 2015. O caso de Tainara Souza Santos, de 31 anos, reforçou a urgência do tema. Atropelada e arrastada por um quilômetro na Marginal Tietê em novembro, Tainara teve graves mutilações nas pernas, foi resgatada com vida, passou por cirurgias, mas morreu na véspera de Natal, deixando dois filhos. O suspeito, Douglas Alves da Silva, foi preso em menos de 24 horas após investigações da Polícia Civil. Para o delegado Fernando Bossa, responsável pelo caso, o crime teve motivação de posse e rejeição ao término, configurando tentativa de feminicídio com extrema crueldade.
A polícia promete manter o ritmo de capturas para proteger mais famílias e impedir que agressões evoluam para desfechos fatais. Denúncias podem ser feitas de forma segura pelo 181 ou 190.


