Lula veta integralmente ‘PL da Dosimetria’ que reduziria penas por atos antidemocráticos de 8 de janeiro

Data:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente, nesta quinta-feira (8), o Projeto de Lei nº 2.162/2023, popularmente conhecido como “PL da Dosimetria” — proposta que pretendia reduzir as penas de pessoas condenadas pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e por tentativa de golpe de Estado. A medida foi anunciada ao final da Cerimônia em Defesa da Democracia, realizada no Palácio do Planalto, em Brasília.

O texto havia sido aprovado em dezembro nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, mas não chegou a ser sancionado pelo chefe do Executivo. Em sua fala antes de assinar o veto, Lula reforçou a importância de cuidar permanentemente da democracia: “A democracia não é uma conquista inabalável. Ela será sempre uma obra em construção, sujeita ao permanente assédio de velhos e novos candidatos a ditadores. Por isso, a democracia precisa ser zelada com carinho.”

Nas redes sociais, o presidente destacou o veto como uma forma de proteger o Estado de Direito Democrático: “Assinei hoje o veto integral ao projeto de lei que previa a redução de penas para quem atentou contra a democracia brasileira.” A declaração foi compartilhada em sua conta oficial no X.

Durante a cerimônia, Lula ressaltou que o conceito de democracia vai além do direito ao voto: envolve a participação ativa da sociedade nas decisões de governo e a preservação de justiça e igualdade de direitos, destacando que a democracia deve resultar em um país “cada vez mais justo e menos desigual, com mais direitos e menos privilégios”.

O evento contou com a presença de ministros, autoridades e representantes da sociedade civil. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou que a Constituição é clara ao tratar dos crimes cometidos contra o Estado Democrático de Direito, especialmente os do episódio de 8 de janeiro. Segundo ele, tais crimes são imprescritíveis e não admitem indulto, graça ou anistia, especialmente quando envolvem grupos armados civis ou militares.

Também presente, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, reforçou a mensagem de rigor com a lei: “Justiça não se divide, justiça não se fraciona. Aqueles que romperam, cometeram crime, devem sofrer o rigor da justiça e o peso da história. O futuro do Brasil será sob o manto do poder do povo, da liberdade e à égide da lei.”

Com o veto, a proposta deixa de tramitar e não produzirá efeitos legais, mantendo as penas estabelecidas para os condenados pelos atos antidemocráticos e reforçando o compromisso do governo com a preservação das instituições democráticas no país.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Newsletter

spot_imgspot_img

Mais Lidos

Leia Mais

Arbitragem volta a prejudicar, mas Corinthians supera erros e vence o Velo Clube fora de casa

Mesmo diante de mais uma atuação questionável da arbitragem,...

Mergulhadores localizam quase 150 kg de cocaína escondidos no casco de navio no Porto de Santos

Uma operação integrada de segurança resultou na apreensão de...

Sem ajuda da arbitragem, Santos empata com o Bragantino em jogo morno

Desta vez, sem interferência da arbitragem, o Santos Futebol...

Raio atinge área de ato com apoiadores de Nikolas Ferreira em Brasília

Um raio atingiu as proximidades da Praça do Cruzeiro,...