Moradores de Itanhaém, no litoral de São Paulo, foram surpreendidos em 2026 por aumentos expressivos no IPTU, que em alguns casos ultrapassaram 2.000%. A mudança no valor do imposto provocou protestos em frente à Prefeitura e uma onda de questionamentos sobre os critérios adotados pela administração municipal.
De acordo com a Prefeitura, o reajuste ocorreu após a revisão do cadastro imobiliário, que identificou cerca de 6 mil imóveis que eram tributados apenas como terrenos, apesar de possuírem construções. A atualização passou a considerar a área edificada, o que elevou significativamente o valor venal de alguns imóveis.
Um dos casos mais extremos foi registrado no bairro Jardim São Fernando, onde o IPTU saltou de R$ 610 em 2025 para quase R$ 13,5 mil em 2026, um aumento de 2.113%. Segundo o morador, a Prefeitura passou a considerar uma construção avaliada em mais de R$ 1 milhão, inexistente nos lançamentos anteriores.
Situações semelhantes foram relatadas em outros bairros. No Jardim Anchieta, um contribuinte viu o imposto subir de R$ 114 para mais de R$ 2,5 mil, após a inclusão de 114 m² de área construída. Ele questiona a metodologia utilizada, alegando que o levantamento teria sido feito com base apenas em imagens aéreas, sem vistoria presencial.
Já no bairro Cibratel, houve casos de aumento mais moderado, na casa dos 29%, mesmo sem alteração na área construída. Segundo a Prefeitura, o reajuste se deu por valorização imobiliária e atualização do valor do terreno.
A Administração Municipal afirma que a revisão atendeu a recomendações do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado, que apontaram a necessidade de recomposição da base de arrecadação. Além disso, uma lei sancionada em setembro de 2025 autorizou reajuste de 10% no valor do metro quadrado de terrenos e construções para o exercício de 2026.
Diante da repercussão, a Prefeitura informou que os moradores podem solicitar revisão do lançamento do IPTU, caso identifiquem divergências nos dados utilizados para o cálculo do imposto.
Enquanto isso, o aumento abrupto no valor dos carnês segue gerando insatisfação e levanta o debate sobre transparência, critérios técnicos e impacto social das mudanças adotadas.


