Um vídeo gravado em Caçapava, no interior de São Paulo, viralizou nas redes sociais ao mostrar um militar reformado, atuando como monitor em um colégio cívico-militar, cometendo erros básicos de ortografia durante uma aula de “ordem unida”. O episódio ocorreu no primeiro dia de aula e rapidamente se transformou em combustível para críticas ao modelo de escolas cívico-militares, uma das bandeiras do governador Tarcísio de Freitas.
Nas imagens, o tenente Jefferson escreve no quadro palavras como “descansar” com Ç e “continência” sem a letra N antes do C. A gravação mostra que, após perceber o erro — aparentemente alertado por uma pessoa que acompanhava a aula do lado de fora e por uma mulher sentada na sala —, o militar retorna à lousa e corrige primeiro “descansar” e, em seguida, “continência”. A sequência, registrada em poucos minutos, gerou ironias e indignação nas redes.
A repercussão ganhou força após comentário público da deputada estadual Monica Seixas, que classificou a situação como “tragédia” e criticou a presença de “posições de soldado e erros de português” em sala de aula. Para críticos, o vídeo simboliza uma contradição do projeto: enquanto o governo aposta na disciplina militar como solução educacional, falhas elementares de conteúdo colocariam em dúvida a qualidade pedagógica do modelo.
Defensores das escolas cívico-militares argumentam que os militares não substituem professores e atuam apenas no apoio à disciplina e à organização escolar. Ainda assim, o caso de Caçapava ampliou o debate ao expor, de forma concreta, como o programa funciona na prática logo no primeiro dia de aula.
Com o vídeo circulando amplamente, a discussão ultrapassou os muros da escola e se tornou política. Para opositores, o episódio reforça críticas à militarização do ensino; para aliados do governo, trata-se de um erro pontual explorado ideologicamente. O fato é que a cena registrada em Caçapava colocou novamente o projeto cívico-militar do governo Tarcísio no centro de uma polêmica nacional sobre educação, qualificação profissional e prioridades pedagógicas.



