Repasse a empresa aberta em 2025 entrou no radar do Coaf como operação atípica; defesa diz que valor se refere a serviços de publicidade e marketing, e J&F afirma que todos os pagamentos tiveram nota fiscal.
A empresa de Arthur Cesar Pereira de Lira Filho, filho do deputado federal Arthur Lira, recebeu R$ 250 mil da J&F em uma movimentação que acabou classificada como atípica em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf. O caso ganhou repercussão porque envolve uma empresa aberta em maio de 2025, com capital social de R$ 100 mil, e um repasse feito ainda nos primeiros meses de funcionamento do novo CNPJ.
Segundo as informações disponíveis no cadastro da empresa, a atividade principal do negócio é a de correspondentes de instituições financeiras. Entre as atividades secundárias aparecem áreas como consultoria em publicidade, marketing direto, representação comercial de jornais e holding de instituições não financeiras. O relatório apontou que o pagamento chamou atenção também por, em tese, não envolver fornecedor com atividade econômica claramente compatível com a da J&F.
A defesa da família afirma que Arthur Cesar atua há mais de cinco anos no setor de publicidade e marketing e sustenta que os valores recebidos decorrem de serviços efetivamente prestados, todos com emissão de nota fiscal. A J&F apresentou versão semelhante e declarou que todos os pagamentos realizados pelo grupo se referem a produtos ou serviços comprovadamente executados, com emissão de nota e recolhimento dos tributos devidos.
O episódio ganha peso político porque ocorre em meio à movimentação de Arthur Lira para disputar o Senado por Alagoas em 2026. O caso também reacende o debate sobre movimentações financeiras envolvendo familiares de figuras centrais da política nacional, sobretudo quando o alerta do Coaf surge logo no início da operação de uma empresa recém-aberta.


