Daronco alivia para Abel, poupa Andreas e Carlos Miguel, e Palmeiras leva três pontos com arbitragem contestada

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São Paulo foi derrotado por 1 a 0 no Morumbis, mas deixou o clássico com a sensação de que jogou também contra a condescendência da arbitragem. Andreas Pereira escapou do segundo amarelo, Carlos Miguel fez cera mesmo advertido e o Palmeiras administrou o resultado sob olhar permissivo de Daronco.

O Palmeiras venceu o São Paulo por 1 a 0 no Morumbis, com gol de Arias logo aos cinco minutos, e assumiu a liderança. Mas a partida ficou marcada por uma arbitragem que, na visão tricolor, mais uma vez pesou a favor do time alviverde. O lance decisivo do placar veio cedo, em jogada individual de Arias, mas o que inflamou o jogo ao longo da noite foi a postura de Anderson Daronco diante de episódios que irritaram jogadores, comissão e torcedores são-paulinos.

O primeiro grande ponto de reclamação atende pelo nome de Andreas Pereira. O volante do Palmeiras recebeu cartão amarelo aos 42 minutos do primeiro tempo, após carrinho em Cauly. No segundo tempo, aos 10 minutos, Marcos Antônio escapou em contra-ataque, passou pelo próprio Andreas e sofreu nova falta. A cobrança dos jogadores do São Paulo foi imediata: era lance claro para o segundo amarelo. Daronco, porém, preferiu aliviar. Três minutos depois, Abel Ferreira tirou Andreas de campo, evitando que o volante corresse qualquer risco de expulsão.

Se faltou rigor com Andreas, sobrou paciência com Carlos Miguel. O goleiro do Palmeiras recebeu amarelo ainda no fim do primeiro tempo, aos 48 minutos, por cera. Mesmo assim, seguiu administrando as reposições em ritmo lento, retardando reinícios e conduzindo o tempo do jogo com evidente tranquilidade. Na leitura de quem estava do lado são-paulino, Carlos Miguel tratou a advertência como detalhe: continuou esfriando a partida sem ser novamente punido, numa demonstração de que o Palmeiras parecia jogar acima da autoridade do árbitro.

O contraste ficou ainda mais evidente quando Daronco decidiu expulsar Abel Ferreira aos 33 minutos do segundo tempo. O técnico português já havia sido advertido e acabou recebendo o segundo amarelo após nova reclamação. Ou seja: houve firmeza para mostrar vermelho ao banco, mas faltou a mesma disposição para agir contra atletas em campo que testaram os limites da arbitragem o tempo inteiro.

Dentro das quatro linhas, o São Paulo teve mais posse em vários momentos, ocupou o campo ofensivo e tentou empurrar o Palmeiras para trás, principalmente na etapa final. O problema é que, além de esbarrar na dificuldade para transformar volume em chances claras, viu o rival conseguir exatamente o que queria: fazer o gol cedo, travar o jogo, picotar o ritmo e sair de campo com mais uma vitória cercada por queixas de favorecimento.

No fim, ficou a sensação de um roteiro conhecido. O Palmeiras abriu o placar, cozinhou o clássico e encontrou numa arbitragem permissiva o ambiente ideal para segurar o resultado. Para o São Paulo, restou a frustração de não ter apenas perdido o jogo, mas de sair com a impressão de que Daronco afinou para Abel Ferreira, poupou Andreas Pereira, tolerou o desrespeito de Carlos Miguel e ajudou a construir mais três pontos para o rival.

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