O senador Flávio Bolsonaro passou meses tentando associar o escândalo do Banco Master ao PT e defendendo a criação de uma CPI para investigar o caso. Mas o discurso mudou de peso após a revelação de mensagens e de um áudio que apontam que ele próprio pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a reportagem, Flávio sempre negou ligação com as irregularidades investigadas em torno do Master. Ainda assim, os novos diálogos mostram que ele cobrou recursos de Vorcaro para a produção de Dark Horses, projeto audiovisual ainda não lançado. Após a divulgação do material, o senador admitiu que pediu dinheiro ao banqueiro, mas afirmou que se tratava de um “patrocínio privado para um filme privado” e negou ter recebido vantagens indevidas.
Antes da revelação, Flávio vinha apostando em um discurso político direto. Em eventos e entrevistas, sustentava que a tentativa de ligar Bolsonaro ao Banco Master “não dava liga” e buscava empurrar o caso para o colo do governo Lula. Em um ato de pré-campanha, chegou a usar uma camiseta com a frase “O PIX é do Bolsonaro; o Master é do Lula”, reforçando a narrativa de enfrentamento político em torno do escândalo.
A própria postura pública do senador passou a ser observada com mais atenção depois que veio à tona a informação de que, um dia antes da operação da Polícia Federal contra Vorcaro, Flávio enviou mensagem ao banqueiro dizendo: “estou e estarei contigo sempre”. A revelação enfraquece a linha que ele vinha adotando de se apresentar apenas como crítico externo do caso.
O material divulgado também aponta que repasses para o filme teriam ocorrido entre fevereiro e maio de 2025, destinados a um fundo nos Estados Unidos ligado a um aliado de Eduardo Bolsonaro. Já as conversas entre Flávio e Vorcaro teriam acontecido entre setembro e novembro do mesmo ano.
Com isso, o caso Master ganha uma nova camada política: o senador que mais tentou transformar o escândalo em arma contra adversários agora aparece no noticiário por manter interlocução direta com o próprio banqueiro que está no centro das investigações.



