Caneta vendida como “100% brasileira” teve isenção para importar peças do exterior

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Poucos meses antes de lançar a Ozivy como a primeira caneta emagrecedora “100% brasileira”, a EMS recebeu do governo federal isenção tributária para importar milhões de componentes usados na produção do medicamento. Segundo documentos da Camex obtidos pela Coluna do Estadão, o benefício retirou a alíquota de importação de 14,4% em dois momentos distintos e alcançou 30 milhões de componentes, em sua maioria vindos da China.

A primeira autorização foi concedida em agosto do ano passado, quando a empresa obteve isenção para componentes de 10 milhões de canetas. Na época, a EMS já havia sido autorizada pela Anvisa a comercializar canetas de liraglutida por meio dos medicamentos Olire e Lirux. Depois, em novembro de 2025, o laboratório fez um novo pedido, agora voltado à semaglutida, substância usada na Ozivy. Em março deste ano, a Camex aprovou o benefício para 30 milhões de itens, já incluídos os 10 milhões autorizados anteriormente.

O episódio criou um contraste entre o discurso de produto nacional e a dependência de peças importadas para viabilizar a fabricação. Em resposta, a EMS afirmou que a importação de insumos farmacêuticos não descaracteriza a nacionalidade do projeto industrial nem do medicamento produzido no Brasil. A empresa também alegou que a medida foi necessária para viabilizar a produção local e ampliar o acesso da população ao tratamento.

A discussão, no fundo, vai além da propaganda da caneta. Ela expõe como projetos apresentados como integralmente nacionais ainda dependem de cadeias globais de suprimento e, em alguns casos, de incentivos públicos para se tornarem economicamente viáveis.

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