Atendente do IML é preso por fazer Pix com celular de homem morto

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A investigação sobre o atendente de necrotério suspeito de transferir dinheiro da conta de um homem já morto ganhou um novo capítulo em Santos. Segundo relato da viúva da vítima, o servidor voltou a atendê-la no Instituto Médico Legal depois do registro da denúncia e chegou a se apresentar com um nome falso.

Daniel Nathan Ribeiro Andrade, de 36 anos, foi preso preventivamente e é alvo de apuração da Corregedoria da Polícia Civil. Ele é suspeito de usar o celular de um motociclista morto para fazer uma transferência de R$ 7 mil via Pix para a própria conta bancária.

De acordo com a viúva, a movimentação foi descoberta quando ela foi encerrar a conta do marido, dias após a morte. Ao verificar o extrato, encontrou uma transferência feita em horário posterior ao óbito. A partir do nome do destinatário, ela identificou que o valor teria sido enviado para um funcionário do IML de Santos e decidiu registrar boletim de ocorrência no 3º Distrito Policial.

A mulher contou ainda que, depois disso, voltou ao instituto para buscar um documento necessário ao inventário e acabou sendo atendida novamente pelo mesmo homem. Segundo ela, o servidor teria se identificado como “Fábio”, embora já houvesse suspeita de que se tratava de Daniel. O episódio, segundo o relato, foi levado à Corregedoria, com a informação de que o funcionário seguia em atividade mesmo após a denúncia formal.

Outro ponto levantado pela família envolve o celular da vítima. Conforme a viúva, o aparelho foi devolvido aparentemente quebrado no momento do reconhecimento do corpo, mas depois apresentou sinais de que ainda havia sido usado após a morte do marido. A suspeita é de que o telefone tenha sido manipulado para permitir a transferência e, depois, tenha sido danificado para dificultar a apuração.

O comprovante da operação aponta que o Pix foi realizado ainda na manhã do dia em que o corpo estava no IML. A vítima havia morrido horas antes, depois de sofrer um acidente de moto na Avenida Mário Covas, em Santos.

A Secretaria de Segurança Pública informou que a Corregedoria cumpriu o mandado de prisão preventiva contra o atendente e que o caso envolve apuração por peculato, furto, fraude eletrônica e destruição de vestígios probatórios. A Polícia Técnico-Científica afirmou que acompanha o episódio e que medidas administrativas e disciplinares serão adotadas se as irregularidades forem confirmadas.

Para a família, o caso deixou de ser apenas uma perda financeira e passou a representar também uma nova violência em meio ao luto. A expectativa da viúva agora é que o servidor seja afastado definitivamente e responsabilizado na esfera criminal e administrativa.

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