A imagem não deixa margem para dúvida: Shaun Evans, oficial de vídeo escalado para Alemanha x Curaçao pela Copa do Mundo de 2026, foi captado pelas câmeras da transmissão oficial exibindo, de forma clara e deliberada, o gesto de “OK” que há anos se consolidou como símbolo do supremacismo branco internacional. O australiano aparece ao fundo da cabine do VAR com a mão direita erguida, o polegar e o indicador unidos em círculo e os demais dedos estendidos — pose idêntica à adotada por extremistas raciais em todo o mundo para sinalizar “white power”.
O contexto torna o ato ainda mais repulsivo. Do outro lado do campo, a seleção de Curaçao, composta majoritariamente por atletas negros, disputava a partida contra uma Alemanha quase inteiramente branca. Não se trata de um gesto isolado, casual ou mal interpretado. É um aceno ideológico feito por um representante da arbitragem no momento em que o planeta acompanha um confronto carregado de simbolismo racial.
Evans não é um novato anônimo. Promovido pela Confederação Asiática como um dos oficiais selecionados para o torneio, ele carrega consigo a responsabilidade institucional da Fifa. Por isso, a federação internacional não pode se refugiar no silêncio burocrático. O gesto foi filmado, transmitido e assistido por milhões. Explicações são exigidas, e medidas disciplinares exemplares precisam vir a público.
Num evento que se vende como palco da diversidade e da inclusão, permitir que um árbitro faça um sinal de supremacia branca — justamente diante de uma seleção negra — sem consequências é chancelar o recado de que o racismo tem lugar cativo no futebol. Desta vez, não há espaço para cautelas seletivas ou interpretações ingênuas. O que a câmera mostrou é crime, é provocação e é vergonha. E a resposta precisa estar à altura.



