O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que não pretende mais privatizar as Linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha do Metrô, numa mudança relevante de posição em relação ao discurso que adotava desde o início do mandato. A declaração foi dada durante a inauguração da Estação Washington Luís, da Linha 17-Ouro, e marca um recuo na estratégia de ampliar a presença da iniciativa privada sobre os principais ramais metroviários da capital.
Segundo Tarcísio, caso seja reeleito, essas três linhas permanecerão sob controle estatal. Ao justificar a mudança, o governador disse que prefere uma postura pragmática à defesa de privatizações por princípio e afirmou que pode rever decisões sempre que considerar necessário para garantir a melhor prestação de serviço. Na prática, a fala representa uma inflexão importante no modelo que vinha sendo associado à sua gestão na área de mobilidade.
O argumento central apresentado por ele é que o Metrô hoje opera bem e que o Estado não deveria correr o risco de concentrar muitas linhas nas mãos de poucos operadores privados. Tarcísio também apontou dificuldades no setor ferroviário, citando escassez de operadores nacionais e resistência de empresas estrangeiras em atuar no Brasil, o que, segundo ele, ajuda a explicar a decisão de preservar parte da estrutura sob comando público.
A mudança de rumo aparece no mesmo momento em que o governador também admite rever o contrato da Linha 17-Ouro, o monotrilho que liga a rede ao Aeroporto de Congonhas. De acordo com ele, o ramal será deficitário, ou seja, o custo de operação deverá superar a arrecadação com tarifas. Por isso, o governo avalia retirar a linha do contrato de concessão firmado com a Motiva, antiga CCR, para que o valor remanescente possa ser redirecionado a melhorias e expansões em outras linhas já operadas pela concessionária.
Tarcísio afirmou, porém, que essa mudança dependerá do interesse da empresa e que ainda não há prazo definido para uma decisão. Em nota, a Motiva informou que está à disposição para dialogar com o governo paulista sobre o tema. A Linha 17 segue em fase de testes e, a partir desta quarta-feira, terá operação ampliada das 9h às 16h, ainda sem cobrança de tarifa. A previsão é que a operação plena comece em outubro, quando a passagem de R$ 5,40 passará a ser cobrada.
O recuo do governador destoa da linha política e administrativa que marcou sua campanha de 2022 e os primeiros anos de gestão, quando a concessão de novas linhas de trilhos era tratada como uma das apostas centrais para reorganizar o sistema sobre trilhos em São Paulo. Agora, ao menos no caso dos ramais mais tradicionais do Metrô, o governo sinaliza que a lógica de privatização deixou de ser automática e passou a ser relativizada diante das limitações do mercado e do desempenho da operação estatal.


