Metade dos paulistas se declara contra a privatização do Porto de Santos, segundo pesquisa Datafolha realizada entre os dias 1º e 3 de julho. O levantamento mostra que 50% dos entrevistados rejeitam uma eventual desestatização do porto, enquanto 31% se dizem favoráveis.
A rejeição aumentou em relação à pesquisa anterior, feita em março de 2023. Naquele levantamento, 45% eram contra a privatização do Porto de Santos e 43% eram favoráveis. Agora, além do avanço da oposição à medida, houve queda expressiva no apoio à desestatização.
O resultado aparece em um contexto mais amplo de crescimento da resistência dos paulistas a privatizações e concessões de serviços públicos. A pesquisa também identificou aumento da rejeição à privatização de linhas de metrô e de trem na região metropolitana de São Paulo.
No caso do metrô, 56% dos entrevistados se disseram contrários à privatização, alta de 9 pontos percentuais em relação a 2023. Já nas linhas de trem da CPTM, a rejeição chegou a 53%, aumento de 8 pontos no mesmo período.
A Sabesp também aparece entre os serviços com maioria contrária à privatização. Segundo o Datafolha, 54% dos entrevistados rejeitam a venda da companhia de saneamento, enquanto 31% apoiam. Para 51%, a privatização da Sabesp não trouxe diferença no serviço de água e esgoto; 28% afirmam que piorou, e 14% dizem que melhorou.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a percepção negativa pode estar ligada a experiências ruins com privatizações e concessões recentes. Casos de falhas em serviços concedidos à iniciativa privada tendem a ter maior repercussão entre os usuários e influenciar a opinião pública.
O Porto de Santos é o maior complexo portuário do país e tem papel estratégico para a economia nacional, especialmente no escoamento de cargas do agronegócio, da indústria e do comércio exterior. Por isso, o debate sobre seu modelo de gestão costuma mobilizar interesses econômicos, políticos e regionais.
A pesquisa Datafolha ouviu presencialmente 1.608 pessoas de 16 anos ou mais em 71 municípios do estado de São Paulo. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.


