Quando parecia que a Inglaterra tinha o controle, apareceram os campeões do mundo — e apareceu, como quase sempre, Lionel Messi. A Argentina virou o jogo sobre os ingleses por 2 a 1, em Atlanta, nos minutos finais, e está na final da Copa do Mundo de 2026, onde enfrentará a Espanha no próximo domingo, em Nova Jersey. Foi mais uma reviravolta dramática de uma seleção que fez do sufoco a sua marca neste Mundial. E foi mais um capítulo de uma história que caminha para um desfecho difícil de contestar: o de Messi como o maior jogador de todos os tempos.
O roteiro seguiu o guião das emoções fortes. Depois de um primeiro tempo travado, cheio de faltas e provocações — clima carregado pela rivalidade histórica entre as duas seleções —, a Inglaterra abriu o placar no segundo tempo com Anthony Gordon, aproveitando uma jogada iniciada por Harry Kane. Parecia o golpe que levaria os ingleses à decisão. Mas a Argentina, campeã mundial, não sabe morrer.
A virada que só um time de Messi constrói
A reação foi coletiva, mas teve digital do camisa 10 em tudo. Aos 40 do segundo tempo, numa cobrança de escanteio ensaiada, Messi tabelou com De Paul e serviu Enzo Fernández, que soltou uma bomba de fora da área para empatar. O gol destravou a Argentina e desmoronou a Inglaterra.
E o desfecho não poderia ser mais simbólico. Aos 46, já nos acréscimos, após Mac Allister acertar a trave, Messi dominou na direita e cruzou com precisão cirúrgica na segunda trave, onde Lautaro Martínez apareceu livre para cabecear e decretar a virada. Assistência do gênio, gol do artilheiro, festa argentina. A Inglaterra, que havia sido “absolutamente covarde” ao se fechar após abrir o placar, foi punida na moeda mais dolorosa do futebol: a retomada nos minutos finais.
Messi, o recordista que segue reescrevendo tudo
É impossível falar desta Copa sem falar de Messi — e cada rodada torna o argumento mais forte. Aos 39 anos, na que deve ser sua última Copa do Mundo, ele lidera a artilharia do torneio com oito gols e já quebrou o recorde histórico de assistências em Mundiais. Contra a Inglaterra, não marcou, mas participou decisivamente dos dois gols da virada, como quem controla o jogo pelo pensamento.
Pare para dimensionar a trajetória. Messi é campeão do mundo (2022), venceu tudo o que havia para vencer em clubes, coleciona Bolas de Ouro, é o maior artilheiro e agora maior garçom da história das Copas — e está a um jogo de conquistar um bicampeonato mundial consecutivo, feito que apenas as maiores seleções da história alcançaram, e que nenhum craque moderno conseguiu carregar nas costas como ele carrega esta Argentina. Se erguer a taça em Nova Jersey, aos 39 anos, o debate sobre o maior de todos os tempos tende a se encerrar. Não por opinião, mas por peso de evidências.
A Inglaterra e o eterno “quase”
Do lado inglês, fica a frustração de sempre. O “It’s coming home” volta a ficar para depois. A seleção de Thomas Tuchel fez uma campanha de sofrimento, avançou sempre no detalhe, e desta vez esbarrou não só na qualidade argentina, mas na própria postura: recuou cedo demais após o gol de Gordon e convidou os campeões do mundo para a pressão que acabou fatal. Kane, Bellingham e companhia seguem sem o título que a geração promete e não entrega desde 1966.
O que vem agora
Está armada a decisão dos sonhos: Argentina x Espanha, domingo, em Nova Jersey, num confronto entre a atual campeã mundial e a seleção mais consistente do torneio. De um lado, Messi e a chance de coroar de vez a própria lenda. Do outro, a Espanha de Lamine Yamal, a joia de 18 anos que representa o futuro, tentando impedir o passado glorioso de ganhar mais um capítulo.
Passado contra futuro, experiência contra juventude, o maior de todos contra o que quer ser o próximo. A Argentina chegou lá do jeito que sabe: sofrendo, virando, resistindo — e com Messi, sempre Messi, a um único jogo de transformar uma carreira monumental em algo simplesmente imbatível na história do futebol.


