Mendonça autoriza PF a investigar atuação de Lulinha na Dataprev

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira (31) a abertura de um novo inquérito da Polícia Federal (PF) sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A apuração busca esclarecer se o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuou para favorecer empresários interessados em negócios com a Dataprev.

Segundo a investigação, serão analisadas possíveis práticas de corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa. A Dataprev é uma empresa pública responsável pelo processamento e pela gestão de dados sociais, incluindo informações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Esta é a segunda investigação autorizada por Mendonça em dois dias. Na quinta-feira (30), o ministro permitiu a abertura de outro inquérito para apurar se Lulinha teria atuado em favor de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em tratativas relacionadas ao Ministério da Saúde e ao gabinete presidencial. Antunes é um dos principais investigados na Operação Sem Desconto, que apura descontos irregulares em aposentadorias e pensões.

Nessa frente, a PF investiga contatos ligados ao mercado de cannabis medicinal. Antunes havia contratado a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para prospectar negócios para a World Cannabis. O Ministério da Saúde informou que nunca firmou contrato com a empresa ou com os acionistas mencionados e que não houve repasse de recursos públicos.

A investigação também considera uma viagem de Lulinha a Portugal com Antunes, em novembro de 2024, para conhecer uma fábrica de medicamentos à base de canabidiol. A defesa confirmou a viagem, mas afirmou que ela não resultou em contratos ou negócios entre os dois.

Marco Aurélio de Carvalho, advogado de Lulinha, declarou que não existem fatos que justifiquem a abertura do novo inquérito. Ele classificou a apuração como uma tentativa de pesca probatória, negou qualquer relação direta ou indireta do cliente com irregularidades e acusou a PF de tentar interferir no processo eleitoral.

A defesa de Roberta Luchsinger também nega irregularidades no contrato firmado com Antunes e afirma que nenhum valor foi repassado a Lulinha. Swedenberger Barbosa, que recebeu o lobista quando era secretário-executivo do Ministério da Saúde, declarou que o encontro ocorreu dentro das atribuições do cargo e não gerou qualquer desdobramento comercial.

A autorização do STF permite que a Polícia Federal aprofunde a apuração, mas não representa condenação nem comprovação dos crimes investigados.

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