Uma análise de 8.897 aglomerados estelares jovens em quatro galáxias próximas revelou que a massa determina quanto tempo esses grupos levam para romper a nuvem de gás e poeira onde nasceram. Os mais massivos ficam expostos em cerca de 5 milhões de anos, enquanto os menores demoram entre 7 milhões e 8 milhões de anos.
O resultado foi obtido a partir da combinação de observações dos telescópios espaciais James Webb e Hubble. A visão infravermelha do Webb atravessa a poeira que encobre os aglomerados em formação, enquanto o Hubble registra em luz visível aqueles que já se libertaram do material natal. Com os dois conjuntos de dados, a equipe estimou a idade e a massa de cada objeto.
O levantamento faz parte do programa FEAST e analisou aglomerados nas galáxias M51, M83, NGC 628 e NGC 4449. O estudo, liderado por Alex Pedrini e publicado na revista Nature Astronomy, oferece uma das medições mais amplas já feitas sobre o tempo necessário para que aglomerados jovens surjam de suas nuvens de origem.
Estrelas muito massivas emitem radiação ultravioleta intensa e ventos capazes de afastar o gás frio ao redor. Como esse gás é a matéria-prima de novas estrelas, a saída mais rápida dos grandes aglomerados faz com que eles alterem o ambiente da galáxia mais cedo e tenham peso maior na regulação de futuras etapas de formação estelar.
A descoberta também ajuda a corrigir simulações que ainda têm dificuldade para reproduzir o nascimento e a evolução desses sistemas. Os dados reforçam a ideia de que os aglomerados mais massivos são fontes importantes da radiação ionizante que escapa para o meio galáctico.
Há ainda uma possível consequência para a formação de planetas. A exposição precoce à radiação ultravioleta pode desgastar os discos de gás e poeira ao redor de estrelas recém-nascidas, reduzindo o tempo disponível para o crescimento de mundos gigantes. Essa implicação, porém, decorre das condições medidas nos aglomerados e não de uma observação direta de planetas nesse levantamento.


