A inteligência artificial e a computação quântica começam a avançar como tecnologias complementares, apesar de disputarem investimentos, profissionais e atenção. Sistemas de IA podem ajudar a corrigir falhas dos computadores quânticos, enquanto máquinas quânticas prometem acelerar tarefas complexas e reduzir o consumo de energia de alguns modelos.
A aproximação não é nova. Em 2013, Google e Nasa criaram um laboratório para testar o uso de um equipamento da canadense D-Wave no treinamento de algoritmos. Naquele momento, a máquina não superou uma unidade gráfica convencional, mas a maturidade das duas áreas mudou o cenário desde então.
Uma das principais aplicações da computação quântica é a simulação de materiais, moléculas e reações químicas. Esses cálculos são difíceis para computadores tradicionais. Resultados mais precisos poderiam gerar dados de melhor qualidade para treinar modelos de IA voltados a medicamentos, baterias, novos materiais e previsão do tempo.
A IA também pode atuar dentro do próprio computador quântico. Os qubits, unidades básicas dessas máquinas, são sensíveis a interferências e acumulam erros com facilidade. Decodificadores baseados em inteligência artificial podem acompanhar o sistema e auxiliar na correção dessas falhas, além de simplificar a criação de programas para um hardware ainda pouco acessível.
No caminho inverso, chips quânticos podem funcionar como aceleradores para tarefas específicas de IA. A empresa australiana SQC informou que a operadora Telstra reduziu em 90% o tempo de treinamento de determinados modelos ao testar um processador quântico do tipo reservatório. O resultado é restrito a uma aplicação e ainda não representa desempenho geral para qualquer sistema.
A eficiência energética é outro ponto de interesse. Centros de dados avançados de IA podem demandar gigawatts de potência, enquanto instalações quânticas operam em escala menor. A SQC afirma que seu equipamento consome menos de um décimo da energia de um rack de unidades gráficas, embora precise ser resfriado a cerca de 269 graus Celsius negativos.
O setor ainda enfrenta obstáculos técnicos e não há garantia de uso comercial amplo no curto prazo. Mesmo assim, governos e empresas aumentaram os aportes. Em maio, os Estados Unidos anunciaram US$ 2 bilhões em investimentos em laboratórios quânticos, numa tentativa de acelerar máquinas capazes de trabalhar ao lado dos atuais supercomputadores.


