O número de pessoas desaparecidas no Brasil aumentou 26,5% entre 2021 e 2025, enquanto os registros de homicídios apresentaram queda no mesmo período. A diferença entre os indicadores alimenta o debate sobre a qualidade das estatísticas de segurança pública.
Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública mostram que os desaparecimentos passaram de 67.362 para 85.233 por ano, uma média de 234 casos por dia. A taxa nacional subiu de 32 para quase 40 ocorrências por 100 mil habitantes.
No mesmo intervalo, os homicídios recuaram 20,2% e chegaram a 31.448 casos em 2025. Pesquisadores alertam que parte das mortes pode não aparecer inicialmente nessa estatística quando os corpos são ocultados e as vítimas permanecem registradas como desaparecidas.
A presença de cemitérios clandestinos em regiões dominadas por organizações criminosas reforça a preocupação. A Polícia Federal mantinha, em maio, mais de 13 mil amostras de restos mortais sem identificação no Banco Nacional de Perfis Genéticos.
Uma proposta aprovada no Senado prevê classificar os desaparecimentos como voluntários, involuntários ou forçados, criando protocolos específicos de investigação. A medida busca melhorar a qualidade dos dados e dar respostas mais rápidas às famílias.


