A Agência Nacional de Saúde Suplementar adotou uma medida cautelar para impedir que a Hapvida aplique reajustes de dois dígitos ou rescinda unilateralmente cerca de 947 mil contratos de sua carteira.
A ANS notificou a operadora para prestar esclarecimentos e informou que se reunirá com representantes da empresa. Segundo o então vice-presidente da agência, Wadih Damous, a dimensão da medida anunciada pela companhia levantou uma forte aparência de seleção de risco, prática proibida no setor.
Os contratos submetidos à revisão têm tíquete médio cerca de 50% inferior à média geral da carteira da Hapvida. A seleção de risco ocorre quando uma operadora busca excluir ou restringir clientes com base no perfil de custo ou de utilização dos serviços.
A Hapvida afirmou que ainda não havia sido formalmente notificada e pediu uma audiência de urgência com a diretoria da agência. A empresa disse que as ações envolvem contratos inadimplentes e a renegociação de grandes planos coletivos empresariais com desequilíbrio econômico-financeiro.
A intervenção regulatória ocorre após as ações da companhia caírem mais de 33% em um único dia, na sequência da divulgação de resultados financeiros. A empresa também sustentou que a revisão não significa necessariamente o cancelamento dos planos, mas uma tentativa de reequilíbrio na renovação anual dos contratos.


