O isolamento social extremo de adolescentes e adultos jovens, conhecido pelo termo japonês hikikomori, tem chamado a atenção de médicos e famílias. Em situações graves, a pessoa permanece em um quarto por semanas, meses ou anos, reduzindo quase completamente o contato presencial e concentrando a rotina em telas.
Hikikomori não aparece como diagnóstico independente na Classificação Internacional de Doenças nem no principal manual psiquiátrico norte-americano. O comportamento pode ocorrer sozinho ou estar associado a depressão, ansiedade, fobia social, esquizofrenia e condições do neurodesenvolvimento. Por isso, a avaliação precisa ser individualizada.
Estudos japoneses estimam prevalência entre 1% e 2% dos adolescentes, mas ainda não há levantamento global consolidado. Baixa autoestima, bullying, traumas, dificuldades de interação e conflitos familiares são fatores frequentemente relacionados. O uso excessivo de telas pode contribuir para o afastamento, mas também pode ser consequência dele.
O tratamento costuma envolver acompanhamento psicológico, participação da família e retomada gradual de atividades. A terapia cognitivo-comportamental é uma das abordagens utilizadas, e medicamentos podem ser indicados quando existe outra condição clínica. Sinais persistentes de abandono escolar, inversão do sono e recusa de contato justificam avaliação profissional, sem estigmatizar o jovem.


