Offshore ligada ao caso Toffoli comprou apartamento de US$ 3,6 milhões em Miami

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Uma empresa controlada por uma offshore das Ilhas Virgens Britânicas, mencionada pela Polícia Federal na investigação sobre o Banco Master, adquiriu na planta um apartamento de US$ 3,648 milhões em Miami, nos Estados Unidos. A estrutura empresarial é analisada pelos investigadores por uma possível ligação com pagamentos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

O imóvel é a unidade 41B do 888 Brickell Miami, edifício de 90 andares ainda em construção e com entrega prevista para 2030. O contrato, assinado em 4 de março de 2025, estabeleceu três parcelas: um adiantamento de US$ 729,7 mil, outra parcela do mesmo valor em março de 2026 e US$ 2,18 milhões no fechamento do negócio.

A compradora foi a Lino Properties, registrada em Delaware, nos Estados Unidos. A única sócia da companhia é a Egide I Holding Limited, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. A Egide aparece no material examinado pela PF como uma das estruturas no exterior que poderiam ter recebido recursos relacionados ao caso.

O empresário Alberto Leite, amigo de Toffoli, aparece nos documentos ligados às empresas. Ele afirmou que o contrato é transparente, cumpre a legislação e tem beneficiário final identificado. Também negou que o ministro seja beneficiário ou participante da operação.

A apuração relaciona a movimentação ao resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná. Em 2021, o fundo Arleen adquiriu metade da participação da Maridt, empresa ligada à família de Toffoli, no empreendimento. O único investidor do fundo era Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. A PF identificou indícios de pagamentos de R$ 35 milhões, valor contestado pelo ministro.

Em fevereiro de 2025, Leite assumiu o fundo Arleen. Posteriormente, o estatuto foi alterado para permitir investimentos no exterior e, antes da liquidação, recursos teriam sido transferidos para a Egide. Os investigadores avaliam se Toffoli poderia ser beneficiário final da estrutura, hipótese ainda não comprovada.

Toffoli declarou que nunca teve imóvel no exterior e negou operações diretas ou indiretas nas Ilhas Virgens Britânicas. O ministro afirmou ainda que a venda de sua participação no Tayayá e as movimentações relacionadas foram informadas à Receita Federal e à Junta Comercial.

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