O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, voltou a admitir que integrantes do governo Jair Bolsonaro discutiram uma tentativa de golpe após a eleição de 2022. Ao comentar o episódio, porém, o dirigente partidário procurou minimizar sua gravidade.
“Discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe. E daí?”, afirmou Valdemar em entrevista à Rádio Gaúcha. A declaração repete uma avaliação feita por ele em 2025, quando reconheceu que houve planejamento, mas argumentou que o golpe não chegou a ser consumado.
A legislação brasileira pune não apenas a consumação, mas também atos de execução dos crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Por isso, a inexistência de uma ruptura efetiva não elimina automaticamente a responsabilidade por eventuais ações preparatórias que tenham avançado para a fase de tentativa.
Questionado sobre a possibilidade de Flávio Bolsonaro adotar comportamento semelhante se chegar à Presidência, Valdemar rejeitou a hipótese e citou as consequências judiciais sofridas por Jair Bolsonaro. O PL elegeu as maiores bancadas da Câmara e do Senado e poderá exercer forte influência sobre o próximo governo.
A nova fala ocorre durante o segundo turno presidencial, enquanto o partido tenta apresentar Flávio como defensor da democracia. O episódio, no entanto, reforça questionamentos sobre a forma como dirigentes da legenda tratam a tentativa de ruptura institucional investigada e julgada no país.
Foto: Saulo Cruz/Câmara dos Deputados – CC BY


