O fortalecimento do PL nas eleições para o Congresso abriu uma disputa antecipada pelo comando da Câmara dos Deputados e do Senado em 2027. Integrantes da legenda já discutem como transformar o crescimento da bancada em influência direta sobre as duas Casas caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno presidencial.
Na Câmara, dirigentes e deputados do partido passaram a avaliar nomes para suceder Hugo Motta. O movimento ganhou força depois de o PL alcançar 121 cadeiras, resultado que dá à sigla a maior bancada e amplia seu poder de negociação na escolha da próxima Mesa Diretora.
Entre os interessados está Sóstenes Cavalcante, que começou a defender sua candidatura à presidência da Câmara. Altineu Côrtes também aparece nas conversas internas, embora seja lembrado para uma vaga no Tribunal de Contas da União. As articulações ainda são preliminares e não representam uma decisão formal de Flávio Bolsonaro.
Disputa também passa pelo Senado
No Senado, o partido acompanha a sucessão de Davi Alcolumbre e tenta organizar uma candidatura capaz de reunir a direita e setores do Centrão. A eleição para as presidências das duas Casas depende de votação entre os próprios parlamentares, por isso o tamanho da bancada não garante sozinho o controle do Congresso.
O PL precisará negociar com Republicanos, União Brasil, PP, PSD e outras legendas. Em troca do apoio, normalmente entram na mesa espaços nas comissões, relatorias de projetos e cargos da estrutura legislativa.
O comando da Câmara e do Senado será decisivo para qualquer governo. Os presidentes das Casas controlam a pauta de votações, influenciam a tramitação do Orçamento e podem acelerar ou bloquear propostas do Executivo.
Base ampla será necessária
Mesmo com uma bancada numerosa, um eventual governo Flávio não terá maioria automática. Para aprovar projetos comuns, são necessários pelo menos 257 votos na Câmara. Mudanças constitucionais exigem 308 deputados e 49 senadores em dois turnos.
A movimentação mostra que a disputa pelo poder no Congresso começou antes mesmo da definição da Presidência da República. Até a posse dos novos parlamentares, alianças podem mudar e novos nomes podem entrar na corrida pelos cargos.


