O potencial brasileiro na produção de terras raras passou a atrair pelo menos 18 empresas estrangeiras interessadas em pesquisa, extração e processamento desses minerais. Os projetos anunciados somam mais de US$ 3,5 bilhões, cerca de R$ 17,5 bilhões, e reforçam a disputa internacional por matérias-primas consideradas estratégicas.
Entre as companhias envolvidas estão grupos com origem ou capital ligado à Austrália, aos Estados Unidos, ao Canadá e às Ilhas Marshall. O interesse cresceu à medida que governos e indústrias passaram a buscar alternativas à forte concentração da cadeia mundial na China.
Terras raras são utilizadas na fabricação de ímãs de alto desempenho, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, sistemas de defesa e outras tecnologias avançadas. Apesar do nome, muitos desses elementos não são necessariamente escassos. O desafio está em encontrá-los em concentrações economicamente viáveis e dominar as etapas de separação e refino.
Brasil quer avançar além da mineração
O governo e representantes do setor defendem que o país não se limite a exportar minério bruto. A meta é atrair unidades de processamento, pesquisa e fabricação de componentes, mantendo no Brasil uma parcela maior do valor gerado pela cadeia produtiva.
Essa estratégia exige investimentos em tecnologia, infraestrutura, qualificação profissional e licenciamento ambiental. A separação dos diferentes elementos pode envolver processos químicos complexos, o que aumenta a necessidade de fiscalização e de medidas para proteger água, solo e comunidades próximas aos projetos.
O interesse estrangeiro abre oportunidades de emprego e de inserção do Brasil em cadeias industriais de alto valor. Ao mesmo tempo, aumenta a importância de regras claras sobre transferência de tecnologia, conteúdo local e recuperação das áreas exploradas.
O país possui uma das maiores reservas conhecidas do mundo, mas ainda ocupa uma posição modesta na produção global. Transformar o potencial geológico em indústria dependerá da capacidade de evitar a simples exportação de recursos naturais e criar um ambiente em que mineração e processamento avancem com responsabilidade ambiental e retorno econômico duradouro.


