O modelo econômico adotado pelo presidente argentino Javier Milei, apontado pela equipe de Flávio Bolsonaro como inspiração para um eventual governo no Brasil, acumula o fechamento de mais de 32 mil empresas desde dezembro de 2023.
Dados da Superintendência de Riscos do Trabalho da Argentina mostram que o país chegou a julho de 2026 com 480.067 empregadores registrados. O número representa uma redução de 32.290 empresas em comparação com o período anterior ao início da gestão Milei — queda de aproximadamente 6,3%.
Somente entre junho e julho, outras 948 empresas deixaram de manter trabalhadores formalmente registrados. Foi o 18º mês consecutivo de retração e o menor número de empregadores ativos observado no país desde julho de 2007.
O enfraquecimento do setor empresarial também atingiu o mercado de trabalho. Em 12 meses, a Argentina perdeu aproximadamente 121 mil empregos formais. Comércio, indústria, construção, transportes e serviços estão entre os setores afetados.
Os números chamam atenção no Brasil porque a coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, declarou que as reformas realizadas por Milei são um exemplo para o plano do candidato do PL. A proposta de Flávio utiliza até mesmo uma referência à motosserra adotada pelo argentino para defender um “tesouraço” nas despesas públicas.
A equipe do candidato pretende reduzir ministérios, retomar privatizações, estabelecer uma nova regra fiscal e realizar cortes mais profundos na estrutura do Estado. O desempenho argentino, entretanto, expõe os riscos que um ajuste acelerado pode representar para empresas, empregos e consumo.
Diante da desaceleração, o Banco Mundial reduziu de 3,6% para 2,1% sua projeção de crescimento da economia argentina em 2026. Estimativas do mercado financeiro são ainda mais baixas e indicam expansão entre 1,2% e 1,5%.
O resultado transforma a Argentina em um alerta para o Brasil: o modelo apresentado como exemplo pela campanha de Flávio Bolsonaro vem acompanhado da redução do número de empresas, da perda de postos formais e do enfraquecimento da atividade econômica.


