Estados Unidos, China e Rússia avançam em projetos para instalar reatores nucleares na Lua, abrindo uma nova etapa da corrida espacial. A tecnologia é considerada essencial para fornecer energia contínua a futuras bases, equipamentos científicos e missões de longa duração.
A energia solar enfrenta limitações no ambiente lunar. Uma noite na Lua dura aproximadamente 14 dias terrestres, período no qual painéis solares deixam de produzir eletricidade. Reatores compactos poderiam manter sistemas de comunicação, aquecimento e suporte à vida funcionando durante esses longos intervalos de escuridão.
A Nasa trabalha com a meta de disponibilizar um sistema de geração nuclear até 2030. China e Rússia anunciaram planos conjuntos para construir uma unidade por volta de 2036, associada à estação internacional de pesquisa lunar planejada pelos dois países.
Disputa tecnológica e estratégica
Embora os projetos sejam apresentados como iniciativas científicas, o primeiro país capaz de manter uma fonte estável de energia na superfície lunar ganhará uma importante vantagem. O domínio da tecnologia poderá influenciar a escolha de locais para bases, a exploração de recursos e a definição de padrões para futuras missões internacionais.
Os equipamentos precisarão suportar radiação, poeira abrasiva, temperaturas extremas e o impacto do transporte até a Lua. Também será necessário desenvolver sistemas seguros para lançamento e pouso do combustível nuclear, reduzindo riscos durante todas as etapas da missão.
A disputa levanta ainda questões jurídicas. Os principais tratados espaciais proíbem a apropriação territorial da Lua, mas não oferecem respostas claras sobre a ocupação prolongada de áreas ou a exploração comercial de recursos. Na prática, a instalação de estruturas permanentes poderá criar zonas de segurança e limitar o acesso de outros países.
Antes que os reatores sejam enviados, as agências espaciais terão de demonstrar que seus módulos de pouso e sistemas de transporte são confiáveis. Mesmo assim, os cronogramas anunciados mostram que a presença humana e tecnológica permanente na Lua deixou de ser apenas uma hipótese distante.


