O avanço de investimentos chineses em tecnologia, indústria e inovação no Brasil pode enfrentar um ambiente de incerteza caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente. Empresários e especialistas acompanham com preocupação a possibilidade de retomada de conflitos diplomáticos semelhantes aos registrados durante o governo de Jair Bolsonaro.
A China tenta ampliar sua presença no Brasil para além da compra de soja, petróleo e minério de ferro. Delegações formadas por empresas, universidades e instituições chinesas passaram a visitar projetos brasileiros de tecnologia, parques industriais, incubadoras de startups e centros de pesquisa.
Nos primeiros oito meses de 2026, o comércio bilateral movimentou US$ 128,6 bilhões, crescimento de 12,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A China recebeu 30,7% das exportações brasileiras, embora a pauta ainda permaneça concentrada em produtos básicos.
Alinhamento com Trump preocupa investidores
O risco político está relacionado ao alinhamento de Flávio Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à postura mais hostil adotada por setores do bolsonarismo contra empresas e produtos chineses. Esse posicionamento pode afetar decisões de longo prazo e levar grupos empresariais a priorizar outros mercados.
Durante o governo anterior de Jair Bolsonaro, declarações contra a China provocaram atritos diplomáticos e preocupação entre exportadores brasileiros. Especialistas alertam que a repetição desse cenário dificultaria a transferência de tecnologia, a instalação de fábricas e a formação de parcerias com universidades.
O Brasil foi o país que mais recebeu investimentos chineses em 2025, com aproximadamente US$ 6,1 bilhões, alta de 45% em um ano. A nova fase da relação envolve setores como energia renovável, veículos elétricos, equipamentos industriais, biotecnologia e inteligência artificial.
Uma interrupção nesse movimento atingiria não apenas as relações diplomáticas, mas também empregos, projetos de pesquisa e cadeias produtivas brasileiras. Para o setor privado, a previsibilidade da política externa será decisiva para manter o país como destino relevante do capital chinês.


