O conservadorismo voltou a ganhar força no Brasil e passou a aparecer com mais intensidade em opiniões sobre segurança, punição e direitos. Levantamento nacional mostra que 52% dos entrevistados apoiam a pena de morte, percentual superior ao registrado no ano anterior.
O mesmo movimento aparece em outras pautas. O apoio à prisão perpétua subiu de 72% para 78%, enquanto a defesa da redução da maioridade penal avançou de 65% para 71%. Os números aproximam o índice de conservadorismo dos patamares observados nos anos de 2016 e 2018.
A mudança foi percebida especialmente entre mulheres, pessoas de 25 a 34 anos, moradores de capitais e entrevistados das regiões Norte e Centro-Oeste. O crescimento preocupa especialistas porque soluções baseadas apenas no endurecimento das penas costumam ganhar espaço quando a população se sente insegura e desacredita das instituições.
A defesa de punições mais severas não resolve, por si só, fatores associados à violência, como desigualdade, circulação de armas, falhas na investigação e ausência de políticas de prevenção. A pena de morte, além de proibida pela Constituição fora de situações excepcionais de guerra, envolve o risco irreversível de condenações injustas.
O avanço de valores autoritários também provoca alerta sobre direitos de mulheres e grupos minoritários. A imagem distópica de uma sociedade que restringe liberdades em nome da ordem, popularizada por obras como O Conto da Aia, funciona como metáfora para o perigo de normalizar retrocessos.
O levantamento não significa que o país tenha aderido integralmente a uma agenda autoritária, mas mostra uma mudança relevante no humor social. O desafio democrático será responder ao medo e à insegurança sem transformar direitos fundamentais em alvos de campanhas eleitorais.


