Dificuldades para conseguir autorização de exames, consultas e cirurgias concentram 80% das reclamações registradas contra planos de saúde. O dado revela que o principal problema enfrentado pelos consumidores não está apenas no preço das mensalidades, mas no acesso efetivo ao atendimento contratado.
Entre julho de 2025 e junho de 2026, foram registradas aproximadamente 334,6 mil notificações de intermediação preliminar. Desse total, cerca de 268 mil envolviam questões assistenciais, como demora, negativa ou restrição para realizar procedimentos médicos.
As queixas incluem obstáculos para marcar consultas com especialistas, demora na autorização de exames, dificuldade para encontrar profissionais credenciados e negativas de cobertura para cirurgias. Em situações urgentes, a espera pode agravar doenças e aumentar os custos futuros do próprio sistema.
Consumidores também relatam redes credenciadas insuficientes e mudanças frequentes de hospitais e laboratórios. Na prática, o beneficiário mantém o pagamento mensal, mas enfrenta barreiras justamente quando precisa utilizar o serviço.
A orientação é registrar todos os protocolos, guardar pedidos médicos e exigir justificativa por escrito para qualquer negativa. Se o problema não for resolvido pela operadora, o usuário pode procurar a Agência Nacional de Saúde Suplementar, órgãos de defesa do consumidor e, em casos urgentes, a Justiça.
O volume de reclamações reforça a necessidade de fiscalização sobre prazos e cobertura. Um plano de saúde não cumpre sua função apenas ao vender contratos; precisa garantir atendimento adequado e tempestivo aos beneficiários.


