O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que foi legítima a ação policial que terminou com a morte de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos. O jovem foi atingido por 27 disparos após policiais confundirem um telefone celular com uma arma.
A declaração provoca questionamentos sobre o uso proporcional da força. Gustavo estava desarmado, não possuía antecedentes criminais e, segundo informações apresentadas pela família, fazia tratamento com antidepressivos.
Os agentes efetuaram dezenas de disparos durante a abordagem em Moema, área nobre da capital paulista. Quatro policiais envolvidos foram afastados do patrulhamento enquanto o caso é investigado.
Ao defender a legitimidade da ocorrência antes da conclusão das apurações, o secretário amplia a cobrança por transparência. Especialistas em segurança pública afirmam que a quantidade de tiros, a identificação equivocada de um celular e a inexistência de arma precisam ser analisadas individualmente.
Protocolos policiais exigem avaliação da ameaça, proporcionalidade e preservação de vidas. Mesmo quando agentes acreditam estar diante de perigo, cabe à investigação verificar se havia alternativas e se a resposta respeitou as normas de atuação.
A família cobra responsabilização e contesta a versão de que a ação foi adequada. O inquérito deverá analisar imagens, perícias, depoimentos e a conduta de cada policial. Até a conclusão, classificar o episódio como legítimo não elimina as perguntas centrais sobre por que um jovem desarmado recebeu 27 tiros.


