O tratamento dado pela Justiça Eleitoral aos canais de WhatsApp das campanhas de Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva passou a ser questionado depois que verificadores encontraram conteúdos enganosos na chamada “Tropa do Flávio”, enquanto o canal ligado ao PT foi suspenso por decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques.
A “Tropa do Flávio” começou a funcionar em 6 de outubro e reuniu mais de um milhão de seguidores antes de seu endereço ser formalmente comunicado ao TSE. Mesmo operando sem o registro exigido durante os primeiros dias, o canal não sofreu a suspensão de 48 horas aplicada ao “Exército do Lula”.
Levantamentos independentes identificaram publicações falsas ou enganosas distribuídas pela estrutura bolsonarista. Entre elas está um vídeo que associava uma mulher supostamente usando cocaína à manifestação favorável a Lula na Avenida Paulista. As imagens já circulavam anteriormente e eram atribuídas a outro país.
Uma análise de 247 mensagens da “Tropa do Flávio” encontrou ao menos oito conteúdos enganosos. Outro monitoramento apontou uma média superior a duas mensagens problemáticas por dia desde a criação do canal.
Canal de Lula foi censurado
Enquanto isso, Kassio Nunes Marques determinou a suspensão de publicações e da entrada de novos seguidores no “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones. A decisão atendeu a um pedido apresentado pela campanha de Flávio.
A área técnica do próprio TSE, entretanto, não encontrou publicações com informações consideradas falsas entre os conteúdos examinados no canal ligado a Lula. Mesmo assim, a estrutura sofreu restrições enquanto o canal adversário continuava funcionando.
A campanha petista pediu ao TSE que aplique à “Tropa do Flávio” o mesmo tratamento imposto ao “Exército do Lula”. Também questionou o funcionamento das ferramentas da Meta, responsável pelo WhatsApp, depois de usuários relatarem que pesquisas pelo canal de Lula sugeriam como resultado o espaço mantido pela campanha de Flávio.
A diferença de tratamento amplia os questionamentos sobre a imparcialidade da atuação de Kassio Nunes Marques. Se a justificativa para suspender um canal é a falta de registro ou o risco de desinformação, as mesmas regras deveriam ser aplicadas de forma equivalente às duas campanhas.
O caso exige transparência do TSE e da Meta. A fiscalização eleitoral perde credibilidade quando uma campanha sofre censura preventiva, mesmo sem fake news localizadas pela equipe técnica, enquanto a estrutura adversária permanece ativa após verificadores documentarem conteúdos falsos.


