Uma brasileira se tornou a primeira participante no país a receber uma dose experimental de tratamento contra o HIV com aplicações previstas a cada quatro meses. Pisci Bruja, mulher trans de 37 anos que vive com o vírus há 13 anos, integra um estudo clínico internacional que avalia se o novo intervalo mantém o controle da infecção com segurança. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo.
O esquema em teste combina os antirretrovirais cabotegravir e rilpivirina. Se a pesquisa confirmar eficácia e segurança, a periodicidade de três aplicações por ano poderá reduzir a necessidade de tomar comprimidos diariamente para parte das pessoas elegíveis. Isso pode facilitar a rotina de tratamento e diminuir o peso do estigma para alguns pacientes, mas esses benefícios ainda precisam ser medidos no estudo.
Pisci é antropóloga e pesquisadora na área de saúde pública. Ela relata que a possibilidade de um tratamento de longa duração tem significado pessoal e coletivo: ampliar escolhas para pessoas que vivem com HIV. A participação dela também chama atenção para a inclusão de mulheres trans em pesquisas médicas, grupo historicamente afetado por barreiras de acesso aos serviços de saúde.
É importante distinguir o tratamento investigado de uma cura ou de uma nova opção já disponível nos postos. A formulação com intervalo de quatro meses está em fase experimental e os participantes precisam de acompanhamento clínico. O tratamento do HIV continua baseado no uso regular de antirretrovirais e na orientação da equipe de saúde. Ninguém deve interromper ou alterar a medicação por conta própria.
Os pesquisadores vão acompanhar a resposta ao esquema e eventuais efeitos adversos antes que se possa discutir uma possível aprovação. Por enquanto, o caso marca uma etapa da pesquisa, não uma mudança imediata no atendimento oferecido pelo SUS.


