Em agenda de campanha no Pará, Flávio Bolsonaro defendeu que o produtor rural tenha liberdade para “fazer o que quiser” em sua propriedade. A declaração foi feita ao apresentar propostas de regularização fundiária e redução de exigências ambientais, e recoloca no centro da eleição o limite entre o direito de produzir e a proteção da floresta.
O candidato argumenta que agricultores precisam de segurança jurídica e menos entraves para trabalhar. Mas a frase levanta uma questão prática: a propriedade privada não elimina regras de conservação, licenciamento nem direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais. O uso da terra também pode produzir efeitos fora dos limites da fazenda, como desmatamento, contaminação e mudanças no regime de chuvas.
Na mesma região, disputas fundiárias e avanço de atividades ilegais já afetam territórios indígenas. Por isso, a campanha precisa esclarecer quais exigências pretende retirar, como impediria a ocupação irregular e que fiscalização permaneceria em vigor.
Prometer liberdade ampla sem detalhar as salvaguardas pode agradar parte do eleitorado rural, mas deixa sem resposta quem arcará com os custos ambientais e sociais caso a proteção seja enfraquecida.


