O número de trabalhadores afastados e atendidos pelo INSS por problemas ligados ao vício em jogos de aposta passou de 67 em 2023 para 363 em 2025, aumento de 441%. Os dados mostram uma consequência concreta da expansão das apostas: além das perdas financeiras, parte dos jogadores enfrenta adoecimento capaz de interromper o trabalho.
O levantamento se refere aos casos em que houve concessão de benefício por incapacidade temporária. Ele não mede todos os brasileiros com transtorno do jogo. Pessoas que continuam trabalhando, não buscam atendimento ou estão fora do emprego formal podem não aparecer nessa estatística.
Profissionais de saúde alertam que o vício pode estar associado a dívidas, ansiedade, conflitos familiares e dificuldade de controlar a aposta, mesmo após prejuízos repetidos. O crescimento dos afastamentos reforça a necessidade de prevenção, acesso a tratamento e informação clara sobre riscos.
O debate sobre a regulação das bets, portanto, não pode se limitar à arrecadação tributária. Também precisa considerar os custos sociais e de saúde pública da atividade e a proteção dos usuários mais vulneráveis.


