Kitagawa, Robson e Yaghi desenvolveram MOFs com aplicações em produção de água potável no deserto e captura de CO2. Prêmio de R$ 6,23 milhões.
A Real Academia de Ciências da Suécia concedeu o Nobel de Química 2025 ao japonês Susumu Kitagawa, britânico Richard Robson e jordaniano-americano Omar Yaghi pela criação de estruturas metalorgânicas (MOF). Os compostos formados por íons metálicos conectados por moléculas orgânicas criam cristais com espaços internos capazes de captar substâncias, estimular reações químicas e conduzir eletricidade. Os laureados, com 74, 88 e 60 anos respectivamente, dividem 11 milhões de coroas suecas (R$ 6,23 milhões).
Robson iniciou pesquisas em 1989 criando variante da estrutura diamantada substituindo carbono por íons de cobre e moléculas quadribraçadas, resultando em cristal com cavidades espaçosas porém instável. Kitagawa resolveu parcialmente em 1997 construindo estruturas que capturavam e liberavam metano, oxigênio e nitrogênio, desenvolvendo cristais flexíveis expandindo-se quando cheios. Yaghi alcançou em 1995 estrutura bidimensional com junções de cobalto estável a 350°C, cunhando o termo metal-organic framework.
A brasileira Liane Rossi (IQ-USP) pesquisa adsorção de hidrogênio e CO2 mediante mecanoquímica, enquanto Christiane Arruda (Unifesp) desenvolve degradação fotocatalítica de poluentes aquáticos. Yaghi fundou Atoco focando em colheita de água e captura de carbono para emergência climática.
Trajetória inspiradora: Yaghi, refugiado palestino na Jordânia compartilhando cômodo com 15 familiares, encantou-se aos 10 anos com modelos moleculares bibliotecários, consolidando ciência como “grande força equalizadora mundial”.


